Sim, eu engordei!

By Mayra Soares quinta-feira, janeiro 19, 2017 3 , , , Permalink 1

Não que eu deva satisfações pra alguém, mas eu decidi falar no assunto depois de muito ler na internet desabafos de meninas que, assim como eu, engordaram.mayra-1Isso não deveria ser um problema.

Ok, a gente está acostumada a olhar pra loira, do olho azul, alta, magra e dizer: Que linda! É uma Barbie.

E é, uma boneca, com cílios perfeitos e que a gente, secretamente, inveja.

Mas, apesar de clichê, cada um tem uma beleza diferente.

As mulheres lindas de capa de revistas que estão nas nossas casas, as tantas outras que deixamos entrar pela TV, também se sentem fora do padrão as vezes. Também têm baixa auto-estima, também se sentem feias na tpm.

A vida delas não é mais fácil só porque elas são símbolos de beleza. Elas também são exigentes com elas mesmas, malham muito, comem regrado e sentem culpa quando comem chocolate.

A verdade é que a nossa insegurança vende. Imaginem quantas chapinhas, progressivas e relaxamentos são vendidos ao se estabelecer que o padrão de beleza é o cabelo liso. E quantas cirurgias, clínicas de estética e academias estão lotadas por nós, mulheres que tentam se igualar a mulher da capa de revista.

Eu não vou dizer que meu corpo não me incomoda, seria hipócrita, me incomoda MUITO, mas ser bonita não pode ser o ponto principal da minha vida e nem da sua que lê esse post agora.

A gente tem muito mais coisa pra mostrar, tem muito mais qualidade pra oferecer pro mundo. A nossa beleza não deve ser a primeira preocupação da vida, nem nossa prioridade.

Eu vou emagrecer, eu vou colocar silicone se sentir vontade, mas nunca mais eu vou sofrer por me sentir gorda e fora dos padrões. Eu  não posso fazer isso comigo mesma, vocês entendem?

Eu era magra, super magra e as pessoas diziam: Que magrela! Nossa, ficou magra demais com essa roupa. aff!

Juro!

Pessoas da minha família, inclusive. Eu, que na época tinha 18/19 anos, chorava e nunca mais usava a roupa. Ai eu cresci, engordei, engordei bastante.

E agora eu ouço das pessoas: Nossa, você precisa se cuidar, nunca esteve tão gordinha.

E sabe o que eu faço? Não ligo! Não mesmo.

Não ligo para o que falam, ligo pro meu espelho, me sinto mal ao me olhar nele, mas não é opinião das pessoas que me faz sentir melhor ou pior.

Eu sei quem sou, sei da mulher que sou, sei das minhas qualidades, dos meus defeitos, sei que é mais importante eu corrigir minha impaciência do que meu peso na balança, por exemplo.

Vocês me entendem?

Quero emagrecer, quero cuidar da minha saúde, da minha alimentação, fazer exercícios, mas por mim! Não pela cobrança das pessoas e nem pelos padrões impostos.

Cuido da minha aparência, aliás eu tenho um blog que aborda assuntos de moda, beleza, fitness, estética, mas eu sei que existem coisas muito mais importantes em mim do que a minha aparência.

Estar bem com a aparência é maravilhoso, elevar a auto-estima é uma questão de saúde mental, mas as exigências de uma sociedade machista e preconceituosa não podem ser  a nossa motivação.

Apesar da gente saber tudo isso, a gente se pega no Instagram da Giovanna Ewbank desejando ter aquela barriga, aquele sorriso, aquele corpo magro. Eu sei que você faz isso, eu também faço.

É totalmente emocional, nada racional.

E é por isso que eu vim falar aqui, porque falar de como a gente se sente, ajuda muita gente a se sentir humano, normal.

A gente sabe que nunca vai ser igual a mulher da revista, mas lembrar aqui  faz a gente parar de gastar a vida correndo atrás de um padrão inalcançável. É impossível acompanhar as revistas e a tv. juliana-paes-1A Juliana Paes era maravilhosa, fez muito sucesso pelo seu talento e por seu corpo, lindo, violão, exuberante, como a mulher brasileira. E agora a mesma Juliana está magraaaaa, linda ainda, mas bem diferente do que era.

Eu já quis o corpão dela, agora eu quero ser magra como ela. E amanhã eles vão nos apresentar outras formas de mulheres como padrão e a gente vai querer ser daquele jeito também.

Da pra acreditar?

Nós vamos sendo levadas, não dá pra ser assim.

Lemos muito por aí: seja a melhor versão de você.

De novo: é clichê, mas é verdade. Temos que ser a melhor versão de nós mesmos, não uma versão copiada de alguém. A gente tem que se sentir bem, tem que saber que existem mil outras coisas para serem exploradas em nós além da nossa aparência e que ser bonita, pode ser legal, mas ser  SÓ bonita é ser oca.

O meu desejo é que a nova geração essa que expõe a opinião na internet, que combate racismo, xenofobia, gordofobia, homofobia, machismo, essa geração que defende o empoderamento, esses que colocam a boca no mundo e que postam pro mundo, cresçam com essa parte bem resolvida e que criem mulheres cada vez mais bem resolvidas para que as próximas capas de revistas, as próximas sex symbols da TV, as próximas modelos de passarela sejam negras, loiras, ruivas, brancas, tenham cabelos crespos, lisos, enrolados, tenham quadris largos, barriga que sobra na calça, barriga reta, osso aparecendo, enfim…

Desejo que a próxima geração saiba (racionalmente e emocionalmente) que a beleza está na diversidade.

Bitocas!

3 Comments
  • Nay Soares
    janeiro 20, 2017

    Simplesmente maravilhoso esse post

  • Taís
    janeiro 20, 2017

    Amei e me identifiquei muitoo

    • Mayra Soares
      janeiro 24, 2017

      Adorei você aqui! <3

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