A moda não é fútil

By Mayra Soares segunda-feira, junho 29, 2015 2 , , , , Permalink 0

Não mesmo.

Mas para gente poder falar do assunto, vamos por partes.

Essa é a era digital, aonde num passe de mágica tudo pode mudar.

O que hoje é objeto de desejo, amanhã pode não ser.

O que hoje está na lista de fiascos fashion, amanhã pode ser objeto de desejo. Haja vista as choker tattoos que falamos aqui.

Lendo uma das minhas revistas antigas da Glamour, em que Thassia Naves foi capa, me deparei com esses dizeres:

“É que está tudo mudando na velocidade da luz. E não nos resta opção a não ser acompanhar. As redes sociais vieram pra sacudir o estabelecido, mas nosso mercado foi especialmente atingido pelo tsunami digital. Afinal, um veículo  de comunicação só é relevante se for um scanner fiel de seu tempo, das pessoas de seu tempo e das preferencias das pessoas de seu tempo. E no nosso tempo Kim Kardashian é capa da Vogue americana, Kendall Jenner é a top model mais quente do momento (ela tem 18 milhões de seguidores no Insta, enquanto Gisele tem 3,5m, só a título de curiosidade), e as marcas de moda têm cada vez mais definido suas modelos pelo número de followers – diretamente proporcional à influência que essas mulheres exercem no público final.

Basta Kendall surgir na passarela de, sei lá, Givenchy, praquela imagem rodar o planeta e multiplicar o desejo pela grife.  Ela é a mais linda, a mais estilosa, a mais cool, a que desfila melhor? Não, não, não e não. Mas Kendall tem um algo a mais que fez com que se tornasse uma das modelos mais influentes da atualidade.”

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Pra que escrevi tudo isso?

Pra dizer que a moda, assim como a sociedade, está cada vez mais dinâmica.

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Coleções que carregam o nome de celebridades (leia-se celebridades, modelos, cantoras, atrizes, bloggers, socialites, etc.) nos atraem em lojas de departamento.

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E todo mundo que observa uma arara para comprar uma camiseta, consome moda, todos consumimos, ninguém anda pelado por ai (a não ser em Los Angeles, ontem no protesto dos ciclistas).

Todos estamos sujeitos ao corte, ao designer e a forma que os profissionais da área acharem viável que consumamos, claro que podemos escolher entre todas as possibilidades que o mercado nos oferta hoje.

Mas mesmo você que preferia ser índio, só para não ter o ~desprazer~ de comprar roupas para vestir-se, vai ter que fazer isso em algum momento. E fazendo isso você estará consumindo algo que alguém criou e idealizou. Algum profissional da área que, para você, talvez, não tenha valor algum.

A minha proposta é que você torne isso prazeroso.

Ok, pra muita gente não tem jeito, não é. Mas daí a dizer que moda é fútil, já acho um exagero.

Aliás, é uma mentira.

A moda é uma grande indústria mundial que emprega milhões de pessoas, que sacia o desejo que temos de consumir o novo, que nos permite ser o que somos ou o que quisermos ser, que nos posiciona diante de nós mesmos, que movimenta trilhões, que satisfaz o nosso desejo de autoexpressão.

E todos estamos sujeitos à ela. Para mim, graças a Deus.

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A vida seria muito sem graça se não pudéssemos nos expressar através de tantos meios.

A moda é apenas um deles, que deveria ser encarada como tal, ser respeitada como tal, mas que é confundida com futilidade, talvez, por conta de suas constantes mudanças.

Aquela história de pode usar isso e não pode usar aquilo e depois o que não podia pode e o que podia não pode.

E esse processo tem acontecido cada vez mais rápido na era digital.

Também pudera, nos libertamos dos espartilhos, das saias armadas e chapéus pesados que mais nos davam a impressão de mulheres robotizadas do que reais.

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Vestimos o que queremos, o dia que queremos e da forma que queremos.

Nos basta, apenas, adaptar todas as nuances da moda aos nossos estilos e gostos pessoais. E é aí que mora o desafio.

O desafio está em SER você quem veste a roupa e não a roupa quem veste você.

O desafio está em SER e não em TER.

Ter muita coisa no closet, qualquer um de nós pode ter, mas transformar moda em ESTILO, é algo que requer PERSONALIDADE.

Helô Gomes disse assim:

–  Amiga, não tenho nada pra vestir e o date chega em 15 minutos!

–  Por que você não coloca aquele terno azul de dois botões e recorte lindo?

–  Ah, não! Fico muito séria naquela roupa

–  E aquela saia vermelha midi com a camisa branca de jabô?

–  Muito sexy, não dá!

–  Hmm.. Que tal aquela calça caqui com o scarpin preto?

–  Fico muito genérica…

–  Amiga, então me diz primeiro quem você quer ser, que aí a gente pensa no look!

E é justamente isso! Cada dia a gente quer ser uma coisa,  precisamos saber o que queremos ser e, sabendo, a gente pode ser.

E para finalizar uma frase de Oscar Wilde que resume tudo:

“Só os superficiais não julgam pela aparência”

 

Bitocas!

 

 

 

2 Comments
  • leandro
    fevereiro 1, 2016

    Não acho que a moda seja futil mas nossa sociedade e machista

    • Mayra Soares
      fevereiro 1, 2016

      Concordo, Leandro!
      Obrigada pela visita! ;)

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